Falando sobre ÈSÙ, o que significa exu, assentamento de exu, como se assenta exu.


 

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ÈSÙ

ÈSÙ

 

A palavra Èsù em yorubá significa “esfera” e, na verdade, Exu é o orixá do movimento.

De caráter irascível, ele se satisfaz em provocar disputas e calamidades àquelas pessoas que estão em falta com ele.

No entanto, como tudo no universo, possui de um modo geral dois lados, ou seja: positivo e negativo. Exu também funciona de forma positiva quando é bem tratado. Daí ser Exu considerado o mais humano dos orixás, pois o seu caráter lembra o do ser humano que é de um modo geral muito mutante em suas ações e atitudes.

Conta-se na Nigéria que Exu teria sido um dos companheiros de Oduduà quando da sua chegada a Ifé e chamava-se Èsù Obasin. Mais tarde, tornou-se um dos assistentes de Orunmilá e ainda Rei de Ketu, sob o nome de Èsù Alákétú.

Mas, o que significa a palavra elegbara?

A palavra elegbara significa “aquele que é possuidor do poder (agbará)” e está ligado à figura de Exu.

Um dos cargos de Exu na Nigéria, mais precisamente em Oyó, é o cargo denominado de Èsù Àkeró ou Àkesán, que significa "chefe de uma missão", pois este cargo tem como objetivo supervisionar as atividades do mercado do rei.

Exu praticamente não possui ewós ou quizilas. Aceita quase tudo que lhe oferecem.

É o dono de muitas ervas e entre elas aquela denominada de "vassourinha de Exu", que tanto serve para efetuar atos de limpeza, como também é utilizada como sabão, para lavar roupas de santo, como se faziam antigamente. A sua frutinha é pequenina e amarelada podendo também ser comida.

Os yorubás cultuam Exu em um pedaço de pedra porosa chamada Yangi, ou fazem um montículo grotescamente modelado na forma humana com olhos, nariz e boca feita de búzios. Ou ainda representam Exu em uma estatueta enfeitada com fileiras de búzios tendo em suas mãos pequeninas cabaças onde ele, Exu, carrega diversos pós de elementais da terra utilizados de forma bem precisa, em seus trabalhos.

Exu tem a capacidade de ser o mais sutil e astuto de todos os orixás. E quando as pessoas estão em falta com ele, simplesmente provoca mal entendidos e discussões entre elas e prepara-lhes inúmeras armadilhas. Diz um orìkì que: “Exu é capaz de carregar o óleo que comprou no mercado numa simples peneira sem que este óleo se derrame”.

E assim é Exu, o orixá que faz:O ERRO VIRAR ACERTO E O ACERTO VIRAR ERRO.

·  Exu e sua Multiplicidade

Exu possui múltiplos e contraditórios aspectos. Devido a esta multiplicidade, ele desempenha diversas funções, produzindo vários nomes, como por exemplo, Èsù Alákétú.

Alákétú é uma denominação real dos soberanos da região africana de Ketu e quer dizer, “Senhor de Ketu”.

Como o nome de outros soberanos de outras regiões africanas, temos:

*Aláàfin de Òyò
*Aláàye de Èfòn
*Óòni de Ifè e assim por diante.

Èsù Alákétú possui essa denominação quando Exu, através de uma artimanha, conseguiu ser o Rei da região, tornando-se um dos Reis de Ketu. Sendo que as comunidades dessa nação no Brasil, o reverenciam também com este nome.

Todos os assentamentos de Exu possuem elementos ligados às suas atividades. Atividades múltiplas que o fazem estar em todos os lugares: a terra, pó, a poeira vinda dos lugares onde ele atuará. Ali estão depositados como elemento de força diante dos pedidos.

Mas, não é só isso que leva os assentamentos de Exu. Alguns assentamentos possuem o vulto de uma figura humana com olhos para ver e para agir. Os assentamentos recebem nomes diversos como este Èsù Alákétú ou Èsù Ebarabo e outros mais.

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ASSENTAMENTOS AGRADOS DE EXU (ESHU) NO ILE AXE INJINO ILU OROSSI EM SALVADOR BAHIA BRASIL

Igba exu ou assentamento de exu como é chamado comumente pelo povo de santo, são confeccionados de várias formas, muitos são vistos em panela de ferro, alguidá, panela de barro, muitas vezes modelado com tabatinga, em forma humana completa, ou apenas busto, com olhos e boca feito de búzios. Igba exu também pode ser representado por uma pedra, preferencialmente de laterita ou um montículo de terra, contendo vários elementos do reino animal, vegetal e mineral.

Uma mistura especial é feita pelo babalorixá ou iyalorixá, em conjuto com a iyamoro, contendo azeite-de-dendê, mel, vinho, diversos tipos de bebida alcoolica e sal. As folhas sagradas de exu são maceradas com enxofre, mercúrio, carvão vegetal, inúmeros tipos de pimentas, não pode faltar (atarê, lelecun, begerecum, aridan e aberê).

Pelo menos sete tipos de metais são colocados: Ouro, prata, cobre, zinco, ferro, níquel e estanho, depois de ser banhado em água sagrada. Juntando-se tudo a terra de sete encruzilhadas e de alguns estabelecimentos comerciais e coloca no respectivo recipiente, ornando com os tridentes e lanças, moedas antigas e atuais, e muitos búzios. Deve conter no assentamento pelo menos uma quartinha com quatro búzios dentro, para fazer a consulta em momento oportuno.

Nota: Todos assentamentos (igba orixá), devem ser preparados e sacralizados em rituais próprios por Babalorixas ou Iyalorixas.

 Referências
Cossard, Giselle Omindarewá, Awô, O mistério dos Orixás. Editora Pallas.
 

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Por que Exu é o primeiro?

 Reginaldo Prandi

[autor de Mitologia dos orixás]

Para que os seres humanos possam viver bem neste mundo, é preciso estar bem com os deuses. Por isso os homens propiciam os orixás, oferecendo-lhes um pouco de tudo o que produzem e que é essencial à vida. As oferendas dos homens aos orixás devem ser transportadas até o mundo dos deuses, o Orum. O orixá Exu tem esse encargo de transportador. Também é preciso saber se os orixás estão satisfeitos com a atenção a eles dispensada pelos seus descendentes, os seres humanos. Exu propicia essa comunicação, traz suas mensagens, é o mensageiro. É fundamental para a sobrevivência dos mortais receber as determinações e os conselhos que os orixás enviam do Aiê. Exu é o portador das orientações e ordens, é o porta-voz dos deuses e entre os deuses. Exu faz a ponte entre este mundo e o mundo dos orixás, especialmente nas consultas oraculares. Como os orixás interferem em tudo o que ocorre neste mundo, incluindo o cotidiano dos viventes e os fenômenos da própria natureza, nada acontece sem o trabalho de intermediário do mensageiro e transportador Exu. Nada se faz sem ele, nenhuma mudança, nem mesmo uma repetição. Sua presença está consignada até mesmo no primeiro ato da Criação: sem Exu, nada é possível. O poder de Exu, portanto, é incomensurável.

O sacrifício é o meio através do qual os humanos se dirigem aos orixás, e o sacrifício significa a reafirmação dos laços de lealdade, solidariedade e retribuição entre os habitantes do Aiê e os habitantes do Orum. Sempre que um orixá é interpelado, Exu também o é, pois a interpelação de todos se faz através dele. É preciso que ele receba a oferenda, sem a qual a comunicação não se realiza. A relação homem-orixá tem como fundamento a materialidade do sacrifício, a concretude da oferenda. Isso é uma definição religiosa, um ponto de partida essencial na concepção africana do sagrado. A própria possibilidade do homem professar a sua religião de orixás — seja na África, no Brasil, ou noutro lugar —  depende, pois, do trabalho de Exu.

Como mensageiro dos deuses, Exu tudo sabe; não há segredos para ele, tudo ele ouve e tudo ele transmite. E pode quase tudo, pois conhece todas as receitas, todas as fórmulas, todas as magias. Exu trabalha para todos, não faz distinção entre aqueles a quem deve prestar serviço por imposição de seu cargo, o que inclui todas as divindades, mais os antepassados e os humanos. Exu não pode ter preferência por esse ou aquele. Mas talvez o que o distingue de todos os outros deuses é seu caráter de transformador: Exu é aquele que tem o poder de quebrar a tradição, pôr as regras em questão, romper a norma e promover a mudança. Não é, pois, de se estranhar que seja temido e considerado perigoso, posto que se trata daquele que é o próprio princípio do movimento, que tudo transforma, que não respeita limites. Assim, tudo o que contraria as normas sociais que regulam o cotidiano passa a ser atributo seu. Exu carrega qualificações morais e intelectuais próprias do responsável pela manutenção e funcionamento do status quo, inclusive representando o princípio da continuidade garantida pela sexualidade e reprodução humana, mas ao mesmo tempo ele é o inovador que fere as tradições, um ente portanto nada confiável, que se imagina, por conseguinte, ser dotado de caráter instável, duvidoso, interesseiro, turbulento e arrivista.

Para um iorubá ou outro africano tradicional, nada é mais importante do que ter uma prole numerosa, e para garanti-la é preciso ter muitas esposas e uma vida sexual regular e profícua. É preciso gerar muitos filhos, de modo que, nessas culturas antigas, o sexo tem um sentido social que envolve a própria idéia de garantia da sobrevivência coletiva e perpetuação das linhagens, clãs e cidades. Exu é o patrono da cópula, que gera filhos e garante a continuidade do povo e a eternidade do homem. Nenhum homem ou mulher pode se sentir realizado e feliz sem uma numerosa prole, e a atividade sexual é decisiva para isso. É da relação íntima com a reprodução e a sexualidade, tão explicitadas pelos símbolos fálicos que o representam, que decorre a construção mítica do gênio libidinoso, lascivo, carnal e desregrado de Exu-Elegbara.

Isso tudo contribuiu enormemente para modelar sua imagem estereotipada de orixá difícil e perigoso, que os cristãos, erroneamente, reconheceram como demoníaca. Quando a religião dos orixás veio a ser praticada no Brasil do século xix por negros que eram também católicos, todo o sistema cristão de pensar o mundo em termos do bem e do mal deu um novo formato à religião africana, no qual Exu veio a desempenhar outro papel. A visão “cristã” dos orixás confundiu Oxalá com Jesus, Iemanjá com Nossa Senhora, e outros santos católico com os demais orixás. Para completar o panteão afro-católico, sobrou para Exu ser confundido com o Diabo. Foi, portanto, o sincretismo católico que deu a Exu a identidade de um demônio. Mas essa identidade destorcida sempre foi católica, cristã, sincrética. Não tem nada de africana.

Pensam os que se acostumaram a ver os orixás numa perspectiva cristã (imposta pelo catolicismo e hoje reforçada pelo evangelismo) que Exu deve ser homenageado em primeiro lugar para não provocar confusão, para não bagunçar a cerimônia, como se ele fosse um simples e oportunista arruaceiro. É uma visão bem simplista e demasiadamente falsa. Ora, Exu é antes de tudo movimento e nada pode acontecer sem ele, nem mesmo em pensamento, sem movimento. Nada pode, portanto, se dar sem a interferência de Exu. Por isso ele é sempre o primeiro a ser homenageado: é preciso permitir o movimento para que o evento, seja ele qual for, se realize, seja para o bem ou para o mal. Esse movimento não é dotado de moralidade, nem poderia ser, pois se assim fosse o mundo ficaria paralisado. A vida é um pulsar permanente, e em cada passo, em cada avanço ou retrocesso, em cada mudança, enfim, Exu está presente. Tudo começa por ele; por isso ele será sempre o primeiro.

 

 

Bibliografia

 

PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos orixás. São Paulo, Companhia das Letras, 2001.

 

PRANDI, Reginaldo. Segredos guardados: orixás na alma brasileira. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.

 

SANTOS, Juana Elbein dos. Os nagô e a morte. Petrópolis, Vozes, 1976.

 

VERGER, Pierre Fatumbi. Orixás: deuses iorubás na África e no Novo Mundo. 5ª edição. Salvador, Corrupio, 1997.

 

________________________________________________________________________

Reginaldo Prandi é professor de Sociologia da Universidade de São Paulo e autor, entre outros livros, de Mitologia dos orixás, Segredos guardados, Os príncipes do destino, Ifá o adivinho, Morte nos búzios.

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[Texto extraído e modificado do livro Segredos Guardados, de Reginaldo Prandi, Companhia das Letras, 2005.]

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13 respostas para Falando sobre ÈSÙ, o que significa exu, assentamento de exu, como se assenta exu.

  1. Magaly disse:

    ADOREI A EXPLICAÇÃO , PARABENS A RESPONSAVEL POR ESSE TRABALHO. MUTUMBÁ- AXÉ ROSANGELA DE BARAMEU EMAIL É NEGRA_DE_COPA@HOTMAIL.COM

  2. virginia disse:

    Ele é um pai maravilhoso.. Mojubá ô.Iya Ekeji Virgínia T\’Eshu

  3. luis fernando solon disse:

    o exu é o mensageiro na caida de buzio é quem leva e traz a mensagem é um orixa de grande valor EPARE EXU

  4. Brunno Azevedo disse:

    Bom dia!Gostaria de parabenizar o site, e de pedir uma orientação, estou sendo iniciado no culto a Nação Gêje , não sou de camdomblé, sou de Nação(BATUQUE_PORTO ALEGRE -RS), e como ja observei a feituria é quase a mesma, me refiro ao material usado."vasilhas , imagens , animais e oferendas.Dai mina dÚvida, sei que posso fazer o esu com barro, ferro (barro=vasilha, córtinha e imagens), a imagem de esu posso eu mesmo faze-lá?.se fizer posso usar os atributos africanos? (búzios dentro da córtinha), mesmo sendo um esu de quimbanda?posso fazer uma cabaça e por pra ele, dentro da mesma o dendê(marafa)?e quanto o simbolo do pênis, é correto eu usar também na imagem do esu de quimbanda?(sendo que sei dA DIFERENÇA que existe)gostaria de uma orientação, se possivel.fico no aguardo!

  5. Guy willy Nogueira disse:

    ótimo…completo!

  6. Edmilson disse:

    Gostei de tudo que foi colocado.axé

  7. Nerismar disse:

    Boa tarde, sei que em cada nação, Esù e outros orisás são acomodados de formas diferentes. Se uma pessoa de Djedje acomodar uma ou todas essas divindades no costume yorubá (Ketú), mesmo sendo da linhagen de Fon (Djedje), haveria algum problema?
    Aguardo a resposta em meu email.
    Obrigado, e parabens por seus trabalhos tão levados a sérios

  8. leide carla sozar disse:

    Vc é um dois mais conceituado que já conheço.Parbéns!!!!
    Que Olorúm e seu Orisa lhe de muita vida e saúde para continuar seu proposito.
    osun abá iye…!!!!
    “São meus fraternos votos”
    Osunbiiye-ketú

  9. LEIDE ESCOBAR disse:

    FOI MUITO INTERRESANTE TUDO QUE VI AQUI CONTINUI COM ESSA RIQUEZA DE CONHECIMENTOS E EXPLICACÕES PARABÉNS
    OYA ABUSSIFUÓ.
    ZAMBENAKATÉSALA

  10. Julio cesar (dijina Mavijalekue) disse:

    Ótima explicação parabéns…!!!

  11. monica disse:

    parabens maravilhoso bjs a todos

  12. DELPHINO disse:

    Maravilhoso!!! continue esclarecendo a todos que procuram e necessitam do saber. Parabéns

  13. Carlos disse:

    olá sou de oxumaré araka e não tenho maiores conhecimentos sobre este orixa e seu exu para culto gostaria muito de ter tais respostas. meu e_mail para contato: colondina_modaafro@hotmail.com agradeço desde já…motumbá. adupé

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