O que é Orixá? Quais são os Orixás?


Orixá Ogun Orossi

Orixá Ogum Orossi

Até mesmo os adeptos do Candomblé e Umbanda têm dúvidas quanto a verdadeira natureza dos Orixás e uma forma de defini-los com precisão. Neste artigo procuraremos esclarecer sobre algumas das mais importantes caracteristicas dos Orixás e refletir sobre algumas funções e seus principais aspectos.

Estes esclarecimentos que constam nesse texto não necessariamente respondem pelo pensamento africanista. Trata-se de uma analise mais voltada ao ocultismo e esoterismo sobre a natureza dos Orixás

Existem algumas possíveis qualificações que podemos atribuir aos Orixás. Dentro de diferentes visões, podemos ter uma idéia vaga sobre eles. Mas talvez se juntarmos as principais definições e os entendimentos que geralmente se fazem deles, possamos ter uma noção menos limitada. Porém, por se tratar de um tema de dificil conceituação, é necessário dispensar os rótulos e as definições prontas e acabadas. Tudo aquilo que é transcendente e profundo, não consegue se encaixar em definições rígidas e inflexíveis. O próprio termo “definição” significa, entre outras coisas, “dar fim”. É difícil imaginar que algo muito elevado possa facilmente encerrar-se dentro de limites próprios do nosso entendimento humano.

De qualquer forma, há algumas indicações de idéias que podemos estudar e meditar. Vamos apresentar algumas delas e cada qual, de acordo com sua consciência, fará deles uma ponte para a melhor compreensão da natureza dos Orixás.

Os Orixás são arquétipos, são manifestações dos atributos de Deus, sendo representados simbolicamente por figuras humanas. Nesse sentido, são personificações destes mesmos atributos e qualidades divinas. Cada um dos Orixás representa as principais qualidades do divino, expressos de diversas formas.
O que ocorre, é que existem espíritos que evoluem através de um desses “raios”. Cada um dos Orixás representa um raio que está ligado a um centro primordial de vibração, ligado a Deus. Os espíritos podem evoluir através de cada um desses raios, dessas vibrações primordiais. Ou seja, cada um de nós pode evoluir através de um Orixá e se tornar a manifestação desse Orixá no plano objetivo. Por isso, podemos dizer que os Orixás também são espíritos muito evoluídos, pois cada espírito cresce e se desenvolve a partir dos atributos divinos contidos em cada Orixá, que é uma emanação direta de Deus.
Na verdade, Deus é um só, mas são múltiplas as suas formas de manifestação. É como se Deus fosse a luz branca e os Orixás fossem as cores, que se irradiaram a partir do branco. Cada Orixá está ligado a um “tipo primordial”, que também corresponde a um nível de consciência. Ou seja, Orixás são as vibrações primordiais do Cósmico que nascem quando Deus se manifesta no Plano Objetivo e Manifesto.
Orixá é uma energia básica e fundamental do Universo e os espíritos podem evoluir a partir dessa energia, pois ela é uma emanação direta de Deus. Assim, existem varios caminhos básicos para se atingir Deus, representados pelos Orixás. Quando um espírito evolui, ele pode crescer a partir da Vibração de um dos Orixás.
Apesar de sabermos que essas definições podem vir a ser importantes, sabemos que elas não encerram a questão. Os cultos de Tradição Africana não são muito afeitos a definições, teorias ou sistemáticas. São práticas muito vivenciais, que dispensam o intelecto e o retiram de seu lugar criterioso e interventivo para que o interior da alma possa desabrochar em sua forma original e natural. Assim, este esboço serve apenas para a melhor compreensão do que são os Orixás, mas sem dúvida que uma discussão como essa ainda está longe de abraçar o sentido dos termos que ora procuramos definir.

Orixás são energias oriundas dos elementos da natureza, ou seja, cada Orixá representa uma força da natureza. Quando cultuamos os Orixás, cultuamos as forças elementares oriundas da água, da terra, do ar, da fauna e flora. Essas forças sagradas em equilíbrio produzem uma enorme energia denominado de (Axé). Esta energia denominada de Axé auxilia o humano em seu dia a dia, ajudando no sentido de tornar mais confortável e favorável a sua vida.

Essa é uma definição comum encontrada no movimento Umbandista, mas a idéia de “força natural” acaba sendo vaga e cada pessoa pode nela projetar o entendimento que lhe for conveniente ou que seja possível dentro do nível de consciência em que se encontra. De qualquer forma, a idéia de “força” já se afasta da concepção de Orixá como sendo uma personalidade, um indivíduo, um ser, algo que nos recorda o pensamento animista que tomou conta das religiões antigas.
De qualquer forma, a noção de “força” nos parece algo mais impessoal, como uma lei a se manifestar a partir de um reservatório de energia. Além da noção de energia, podemos acrescentar a consciência dentro desse processo. Então, a melhor noção para a “força natural”, que controla os processos da manifestação da vida em todos os níveis seria uma conjunção entre um reservatório de energia onde situa-se uma forma de consciência em seu centro, com capacidade de regular as atividades naturais e permitir o equilíbrio do funcionamento da natureza.

Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores. Os orixás são guardiões dos elementos da natureza e representam todos os seus domínios no aye (a realidade física em que os humanos estão inseridos segundo a tradição iorubá).

Também existem orixás intermediários entre os homens e o panteão africano que não são considerados deuses, são considerados “ancestrais divinizados após à morte”. Assim sendo, quando dizemos que adoramos Deuses, nós referimo-nos a adorar as forças da natureza, forças essas pertencentes á criação do grande Pai chamado Olorum “Senhor do Céu” (Deus Supremo).

Ogum no ritual do sacrificio. Orossi.

Ogum no ritual do sacrificio. Orossi.

A grande maioria das nações africanas, anteriores à era cristã, conheciam a existência de Olorum como o grande criador, o Ser Fundamental. Olorum “é o Todo”. E o todo, é a natureza e os seus integrantes, (animais, vegetais, minerais, planetas, etc.). O panteão dos Orixás não é mais do que a junção das energias de todo os elementos da natureza, e cada elemento da natureza é representado por um Orixá. Aprendemos a sentir e a manipular essas energias individualmente através de cada Orixá. Os filhos nascidos sobre a influência do Orixá detêm mais energia do seu Orixá influente que os filhos de outros Orixás. Exemplo: os filhos de Obaluaye possuem mais energia voltada para as curas de doenças do que os filhos de Oxum que possuem por sua vez mais energia voltada aos sentimentos ligados ao amor. Na nossa religião, é fundamental a integração com a natureza, pois quanto maior for o nosso contacto com a natureza, maior será o desenvolvimento, a energia, o ashé e, portanto, maior será o elo de ligação com os Orixás, aproximando-nos mais de Olorum (deus criador/construtor de todo o universo). Quem são os Orixás Os Orixás foram os primeiros seres que habitaram a Terra, e dividem-se em duas qualidades: os Orixás Funfuns e os Orixás de Predominância. Em total existem 400 Orixás. Orixás Funfuns Os Orixás Funfuns são os seres que criaram o nosso universo e, por consequência, o nosso amado planeta Terra.  Orixás de Predominância São aqueles que descenderam dos Orixás Funfuns (Branco), e a sua função era povoar o planeta, espalhando semelhantes por todo o mundo. Durante a sua estadia na Terra, os Orixás tiveram muitas aventuras fantásticas, devido à sua força sobre os elementos da natureza. Muitas das suas façanhas e ensinamentos são citadas em lendas. Após a sua passagem pela Terra, os Orixás de predominância recolheram-se no Orum, de onde têm como função auxiliar os seus semelhantes na Terra – a humanidade – em busca da evolução e da comunhão universal.

Assim sendo, os nossos Odu / Fundamentos da Tradicão afirmam que a Existência transcorre em dois grandes planos : 1 – Aiye / Mundo Natural ou Terra-da-Vida; 2 – Orun / Mundo Sobrenatural ou Além. Mas esses dois grandes planos de Existência não são assim tão distintos, pois os Versos dos Contos de Ifá contam que as Entidades Sobrenaturais já “viveram” sobre a Terra no Ode Aiye / Local Terreno das Divindades, quando elas aqui vieram reger a Criação do Mundo Natural. Além disso, esta tradição religiosa afirma que tudo o que existiu, existe ou existirá no Mundo Natural foi plasmado no Mundo Sobrenatural e lá tem o seu exato Duplo.

Desta sorte, todos os Seres existentes são denominados por um só termo : 3 – Ara / Corpo ou Ser. Estes Seres podem ser, conforme as suas qualidades : 3.1 – Ara Orun ou Seres do Além : 3.2 – Ara Aiye ou Seres da Terra. Os Seres do Além (3.1) dividem-se em duas categorias principais : 3.1.1 – Os Imole / Seres Sobrenaturais Divinos, em suas diversas qualificações, os quais estão associados à estrutura do Cosmo e da Natureza Terrestre;

3.1.2 – Os Onile / Senhores da Terra ou, ainda melhor, os Ancestrais, aqueles entes falecidos que por suas ações passadas foram semi-divinizados por seus descendentes, sendo que, embora estejam no Além não são Divindades e estão ligados à estrutura da Sociedade. Os Versos dos Contos de Ifá falam com freqüência em 600 (seiscentos) Imole

(3.1.1 ), classificando-os em 400 (quatrocentos) Irun Imole ou Irunmole e em 200 (duzentas) Igba Imole ou Igbamole : “Awon Irinwo Irunmole oju kotun, ati awon Igbamole oju kosi.” “Muitos Irinwo Irunmole do Lado Direito e muitas Igbamole do Lado Esquerdo.” Mas, isto significa muito mais que os Imole podem ser e são considerados como divididos em Divindades Geradores (Irinwo) e Divindades Gestantes (Igba) e todos os pesquisadores eruditos e os religiosos africanos também estão de acordo em considerar lógica a tradição de que estes 600 Imole são um número místico com a função de emprestar grandeza ao conceito de Divindade, o que importa em dizer-se que eles, os Imole, são uma grande quantidade desconhecida. No que todos também concordam é que existem graduações de ordem, digamos, funcional, nesse grandioso conceito de Divindade, as quais se situam nos Meseesan Orun / Nove Além, ou, melhor dizendo, os Nove Planos de Existência desta Tradicão. Todos estes Planos de Existência no Além, os quais seria fastidioso tentar aqui definir, têm a Ile / Terra, como eixo central e comum de suas esferas de ação e, portanto, como ponto de passagem e de retorno para que todos os Seres por ela, a Terra, intercambiem os seus planos de existências diferenciadas. Para isso, necessitam de um meio, quer ele seja os seus sacerdotes ou os seus Filhos-de-Santo ou, preferencialmente, seus lugares sagrados e devocionais, tal como era o caso dos Origi / Montículo Sagrado do Orisa Orunmila na Cidade Santa de Ilê Ifé em áfrica ou como é o caso atual dos “Assentamentos”. Daí a Terra ser invocada e chamada a testemunhar em todos os tipos de pactos, particularmente em relação à guarda de segredos. Ki Ile Jeeri / que a Terra testemunhe é a mais ritual das fórmulas empregadas em juramentos solenes e daí que todo o Assentamento de um ôrixá deva ser baseado na Ota / Pedra que lhe seja própria, “assentada”, consagrada e “alimentada” por seus fiéis e estes dizerem : -“A força dos Orixás está na pedra “- O que eqüivale a dizer-se : na Terra ! Portanto, como disse anteriormente, Terra e Além estão indissoluvelmente interligados em minha mente e daí também saber que todos os Além podem se intercambiar nesta Terra-da-Vida e que todos os seres que nela existem, mesmo os inanimados, possuem uma centelha (ase) da Vontade Divina (aba) que os criou e os faz existir (iwa). Daí muitos desavisados tratarem os fiéis aos Orixás por “animistas”, misturando o conceito de “centelha divina” com o conceito de “alma” de suas próprias filosofias religiosas.

 Assim sendo, no mais alto dos Nove Além, denominado Ajal’orun / Teto do Além, portanto, no ápice do poder espiritual, está OLORUN / DEUS, justamente Aquele (O) + que tem (LI) + o Além (ORUN). Ele é o Ala Iwa Aba L’Ase / Supremo Criador dos Princípios e Poderes que tornam possíveis e regulam toda a Existência em todos os seus Nove Planos : – o Iwa ou Poder da Existência; – o Ase ou Poder da Realização que dinamiza a Existência; – o Aba ou Poder da Essência que dá propósito ao Poder de Realização. Daí o distanciamento que todos os outros Seres têm que Dele manter, pois nada na Criação é capaz de suportar-Lhe o magnífico esplendor ! Daí, também, que nenhuma Oferenda Lhe pode ser entregue diretamente e Ele somente a receberá através de Seu Mensageiro Divino : o lmole Esu Osije. Consoante este conceito universal de Deus, Incriado e Criador, OLORUN não tem culto específico e nem sacerdócio particularizado. Mas, apesar disso, Ele não é tão remoto ou indiferente aos assuntos humanos. Pelo contrário, Ele está sempre muito próximo de nós : as preces e os apelos sinceros do coração humano O alcançam e Ele os responde através do ôrixá ôrunmilá e sua Divinação Sagrada de Ifá. A seguir, no segundo lugar na Hierarquia da Tradição, criado por OLORUN com seu próprio Hálito Divino, vem Imole Orisanla, de Orisa (ôrixá) + Nla (Grande), o Grande ôrixá. Ao mesmo tempo, OLORUN criou Igbamole Iyangba, de Iya (Mãe) + Ni Gba (que recebe), aos quais delegou os poderes para a geração e gestação de todas as condições para que os Seres existissem no Além e na Terra. Em terceiro lugar, também foi criado diretamente por OLORUN, com a Eerupe / Lama, mistura de água e Terra, mas também vivificada por Seu Hálito Divino, o Imole Esu Agba, o Terceira Cabaça, ou ainda, o êxú Ancestral, o Imole da Dinamização, da Transformação e da Restituição, quer no Além ou quer na Terra-da-Vida. Por isso, ele é importantíssimo em todos os Credos que se sintetizaram à partir da religião dos Orisa / ôrixás e embora não possa ser citado corretamente como um deles, os quais são exclusivamente os Seres Sobrenaturais da Brancura, sua qualidade de Terceiro Criado diretamente por OLORUN o torna seguramente em um Imole / Ser Sobrenatural de Origem Divina, altamente especial e único por ser o primeiro Ara Orun / Corpo do Além, ou seja, a Primeira Individualidade Espiritual a ser criada diretamente da Matéria Combinada : Fogo (espírito), Ar (hálito divino), água e Terra (lama). Em seguida, houve a Criação de todos os Awon Imole, os muitos Seres Sobrenaturais Divinos, porque ainda criados diretamente por OLORUN, ou seja os Muitos Irunmole (Orixás) da qualidade do Branco (funfun) e as muitas Igbamole (Iyami) da qualidade do Preto (dudu), as quais viriam gerar muitos outros Imole considerados como Omode Okunrin / Descendente Masculino e Omode Obirin / Descendente Feminino desses relacionamentos, todos estes últimos relacionados com a qualidade do Vermelho (pupo), e, ainda, com as composições do Vermelho, Branco e Preto.

Assim, os Seres Sobrenaturais de Origem Divina, correlacionam-se em: – Orisa / ôrixás pertencem ao Lado Direito, ao Poder Gerador Masculino, à Primeira Classe de Poder (o Poder da Existência), expressado materialmente pela cor Funfun / Branca. Conheceram-se 50 (cinqüenta) deles que são considerados não gerados mas geradores, sendo que estes são os que realmente merecem o nominativo de ôrixá / Divindade da Brancura. Entre eles podemos citar : Orinsala e Orunmila-Ifa. – Iyami (Minha Mãe) pertencem ao Lado Esquerdo, ao Poder Gestante Feminino, à Terceira Classe de Poder (o Poder da Essência), expressado materialmente pela cor Dudu / Preta. Conheceram-se muitas delas que são consideradas não geradas mas gestantes, sendo conhecidas também pelo nominativo Ebora. Entre ela podemos citar : Oduduwa e Yemideregbe ( Aquela que vem da Lagoa; no Brasil, Iemanjá = A Mãe dos Filhos-Peixes ) – Omode Okurin e Obirin, “Filhos” e “Filhas” gerados pelos Orisa e Iyami pertencem à Segunda Classe de Poder (o Poder da Realização) expressado materialmente pela cor Pupo / Vermelha, ou então, por múltiplas combinações das três cores-símbolos : Branco, Preto e Vermelho. Classificam-se à Direita ou à Esquerda, conforme os seus designativos: * Os “Filhos”, classificam-se à Direita, e, apesar de não pertencerem exclusivamente ao Funfun / Brancura, são também denominados por Orisa Omode Okunrin / Orixá Descendente Masculino; * As “Filhas”, classificam-se à Esquerda, e, apesar de não pertencerem exclusivamente ao Dudu / Preto, são tratadas por Iyami, porque este termo também pode traduzir-se por Senhora (iya) Minha (mi), o que gerou muitas confusões posteriores entre Mães Gestantes e Filhas Geradas, quando da transposição, durante o cativeiro no Brasil, da Teologia em língua Iorubá para as Lendas contadas em língua portuguesa estropiada. – Imole Esu, que pertence à uma categoria única e exclusiva, nem gerado e nem gerante, na sua posição de Terceiro Criado por OLORUN e pertence à Direita e à Esquerda, pois como Mensageiro Divino anda por todos os Nove Além, e, por ser o Grande Dispensador do Axé das três Classes de Poder ( Iwa, Aba e Ase ) carrega em seu Ado Iran / Cabaça Mágica as múltiplas combinações das três cores-símbolos, por delegação unânime de todos os Orisa, as Iyami e os Omode Okunrin e as Omode Obirin. Toda essa classificação (hoje conhecida como parte da Dijina dos ôrixás) é muito importante quando dos rituais de “feitura” dos fiéis e/ou do “Assentamento” de um Imole num lugar devocional, mas no Brasil, após a perda de valores iniciatórios causada pela escravidão e a catequese forçada, mais a conseqüente reunião de todos os Seres Sobrenaturais em um só espaço físico – inicialmente o do Candomblé de Nação – o apelativo de “ôrixá” firmou-se para designar a todos os Seres Sobrenaturais indiscriminadamente, quer fossem da Direita ou da Esquerda, ou, quer fossem “Pais”, “Mães” ou “Filhos”, quer, ainda, fossem da qualidade do Preto ou do Vermelho. Alguns, até chamam êxú por “ôrixá” porque pressentem sua importância, mas desconhecem sua verdadeira essência! O principal Imole Orisa Funfun é a Grande Divindade da Brancura, o Orisa Nla / Grande ôrixá, também conhecido por outro de seus títulos : Obatala – de Oba (Senhor) + Ti (Tem) + Ala (Veste Branca), o Senhor que tem a Veste Branca e que é o Parceiro Gerador do Casal Divino que, por beneplácito e ordem de OLORUN, gerou e regeu toda a Criação. No Brasil, este ôrixá ficou mais conhecido pela contração do termo Orisa Nla em ôrixânlá, depois em ôrixalá e posteriormente criando-se a nova fonética “Oxalá”, sob a qual é muitas vezes confundido com OLORUN e, outras vezes, sincretizado com as características esotéricas do Senhor do Bomfim ou Cristo.

Obá, Festa do Acará. Orossi

Obá, Festa do Acará, Orossi

 A principal Igbamole Ebora Dudu é a grande Divindade do Preto, a Igbamole Iyangba Oduduwa que é a Parceira Gestante do Casal Divino, mas que está praticamente esquecida no Brasil. Como esquecidos estão Oranfe, Agbona, Erikiran, Erinle, Oluwa, Oke, Agbala, Ikire, Hoho, Ija, Olufon, Eteko, Oluorogbo, Oluwonfin, Oxaogiyan e, assim, mais tardiamente, a própria a Umbanda Esotérica fixou seus parâmetros sobre as características esotéricas de apenas seis Irunmole e uma Iyami, mas também chamando a todos por ôrixá : Oxalá, Ogum, Oxosse, Xangô, Yemanjá, Yori (Ibeje), Yorimá (Obaluaiye). E na Criação, como conseqüência da existência de vida na Terra, apareceu a outra classe de criaturas Ara Orun da Religião dos Orixás : os Onile (3.1.2), de Oni (Senhor) + Ile (Terra), ou seja, os Senhores da Terra. Estes Seres do Além que tiveram as suas Ori Orun / Cabeça-no-Além também criadas por OLORUN, puderam tornar-se em Seres da Vida e sobre a Terra-da-Vida existir para consumar o seu Iwa / Destino com a própria Ori Inu / Cabeça-Interna ou Individualidade Terrestre, para no seu Ol’ojo / Dia Marcado retornar ao Além para acrescentar a seu Duplo no Além ou “matriz espiritual primordial”, todos os méritos ou deméritos de suas ações praticadas na Terra-da-Vida, adquirindo, após a primeira desencarnação, a qualidade de Onile / Ancestral. Não nos estenderemos aqui muito mais sobre os Onile / Senhores da Terra ou, também, Ancestrais. Tal assunto merecerá palestra à parte. Apenas citaremos que esta foi a parte da Teologia Iorubá mais absorvida pela Umbanda do Brasil e apenas citaremos qual o relacionamento dos Onile para com Orixás e Eboras. Assim sendo, ainda que seja perante OLORUN que cada Ara Orun e/ou Onile deva “ajoelhar-se” para pedir o seu novo Destino antes de encarnar-se, sendo Ele o seu verdadeiro Eleda / Criador, ao renascer na Terra-da-Vida para cumprir esse destino adrede solicitado, o novo Ser Vivente está ligado a algum Irunmole ou Igbamole, que lhe “emprestará” algumas qualidades de sua matéria primordial ( Axé do Branco, do Preto ou do Vermelho ). Desta forma, na Terra-da-Vida, este novo Ser Vivente deve devotar-se a algum Orixá e/ou Ebora ou por ele/ela ser “possuído” no transe mediúnico. Este Orixá ou Ebora, depois de detectado e confirmada a sua influência sobre o novo Ser Vivente pelos processos da Divinação Sagrada de Ifá, é considerado como o “possuidor” da Ori Inu / Cabeça Interna, ou seja, da nova Personalidade Individual Terrestre daquele Ser e/ou Ancestral novamente encarnado, ou seja, o seu Oluware, portanto, e no máximo, o seu Oba Mi / Meu Senhor ou Iya Mi / Minha Senhora, pois que o seu verdadeiro Criador sempre foi, é e será Deus. Compreendido tudo isso, podemos agora identificar quem é o Senhor da Casa da Vida : o ôrixá Orunmilá-lfá. Ara Orun / Ser Sobrenatural ; Imole / Ser Sobrenatural de Origem Divina ; Irunmole Oju Kotun / Ser Sobrenatural Divino Masculino do Lado Direito ; Orisa Funfun / ôrixá Não Gerado mas Gerador do Poder da Brancura. Sua qualificação completa seria, pois : Ara Orun Imole Irunmole Oju Kotun Orisa Funfun Orunmila Ifa Ele é o Arauto dos Desígnios Absolutos de Deus sobre o Destino de todos os Seres Terrestres, destino este que pode ser confirmado ou corrigido pela Divinação Sagrada de Ifá, para que cada Ser aqui nascido procure cumprir muito bem aquilo que ele próprio solicitou a OLORUN antes de encarnar-se ou nascer.

Alguns Orixás cultuado no Brasil:

Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
Ogum, orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia, Deus da sobrevivência.
Oxóssi, orixá da caça e da fartura, e do sofrimento.
Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
Ayrà, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o Dono das Cobras, Deus da transformação.
Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas.
Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades, e do amor.
Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro, deusa das riquizas materias e espirituiais, e da fertilidade.
Iemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás.
Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte, mãe de Obaluaiê. Mais velha orixá do panteão africano.
Yewá, orixá feminino do Rio Yewa, considerada a deusa da beleza, da adivinhação e da fertilidade.
Obá, orixá feminino do Rio Oba, uma das esposas de Xangô, é a deusa do amor.
Axabó, orixá feminino da família de Xangô.
Ibeji, divindade protetor dos gêmeos.
Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos Orixás.
Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
Omulu, Orixá da morte.
Onilé, orixá do culto de Egungun.
Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
Olokun, orixá divindade do mar.
Olossá, orixá dos lagos e lagoas.
Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
Orixá Oko, orixá da agricultura.

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7 respostas para O que é Orixá? Quais são os Orixás?

  1. Claudia Horta disse:

    Excelente conteúdo e didática. Fantástico. Maravilhosa contribuição para os interessados e simpatizantes da história da criação na visão Yorubá. Decerto que a abordagem de tema tão complexo requer um tratado, visto sua profundidade. Mesmo assim, a partir das informações dadas, pode-se seguramente buscar aprofundamento em qualquer um dos sub-temas expostos. Muito bom. Parabéns!

  2. ADEYLSON SANTOS AROUCHA disse:

    gostaria d esber sobre o orixa ODE IBO IBO

  3. william Nascimento disse:

    Bom dia! Meu nome é William , sou filho de santo de Jurema d`Oxum ( Jurema de Oliveira- SP) onde a mesma fala imensamente bem do seu nome e do seu imenso caráte e a sua honrosa fidelidade e honestidade no candomblé.Gosto muito de ler seus artigos, parabens, willkingscorpion@hotmail.com

  4. Gostei do artigo, não sou de muitas palavras, mas… Thank you!

  5. Margarete disse:

    Obrigado gostei muito,de todo que aprendi pois sou praticante da religião do Orixa,e sei que não temos uma cartilha,e que dependemos da boa vontade das yas e babas para nos ensinar,
    Meu muito obrigado.

  6. ruth charline disse:

    mt bom esse conteúdo

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