Ori é o Orixá que pode escolher o melhor para o humano. Sem Ori não podemos cultuar Orixá.


 

 

ORI O ORI O ORI MI O! SE RERE FUN MI! MEU ORI! SE ALEGRE COMIGO!
Para termos idéia quanto a importância e precedência do ORI em relação  aos demais ORISA, um Itan do ODU OTURA MEJI, ao contar a história de um ORI que  se perdeu no caminho que o conduzia do ORUN para o AIYE, relata: “… OGUN  chamou ORI e perguntou-lhe, “Você não sabe que você é o mais velho entre os  ORISA? Que você é o líder dos ORISA?’…”. Sem receio podemos dizer, “ORI mi a  ba bo ki a to bo ORISA”, ou seja, “Meu ORI, que tem que ser cultuado antes que o  ORISA” e temos um oriki dedicado à ORI que nos fala que ” KO SI ORISA TI DA  NIGBE LEYIN ORI ENI”, significando, “… Não existe um ORISA que apóie mais o  homem do que o seu próprio ORI…”.
Quando encontramos uma pessoa que,  apesar de enfrentar na vida uma série de dificuldades relacionadas a ações  negativas ou maldade de outras pessoas, continua encontrando recursos internos,  força interior extraordinária, que lhe permitam a sobrevivência e, inclusive,  muitas vezes, mantém resultados adequados de realização na vida, podemos dizer,  “ENIYAN KO FE KI ERU FI ASO, ORI ENI NI SO

Da mesma forma que o ORI de Afuwape sobreviveu, O seu sobreviverá. Ele será  favorável a você. Tudo de que você precisa, Tudo o que você quer para a sua  vida, É ao seu ORI que você deverá pedir. É o ORI do homem que ouve o seu  sofrimento…”
O que é então ORI, de que a natureza é constituído e qual  o seu papel na vida do homem? Em primeiro lugar, acredita-se que o corpo humano  é constituído de duas partes: a cabeça e o suporte – ORI e APERE. Acredita-se  que este corpo adquire existência na medida em que recebe de OLODUMARE o sopro  vivificador – o EMI.
Este sopro foi o agente do processo da criação em  seu primeiro momento e tem sido o responsável pela geração e continuidade de  toda a vida no universo. Este modelo descrito e de entendimento abrangente  para todas as formas de vida é repetido no ser humano.
A cabeça e o seu  suporte, ORI-APERE são formados a partir dos elementos matrizes, enquanto o  ORI-INU, interior, representa, na sua constituição, uma combinação de elementos,  porções de matéria-massa que é particularizada durante o processo de modelagem  de cada ORI. Ele é único e, por conta disso, particulariza e dá individualização  à existência.
Essa combinação “química” definirá parte das relações do  homem com o mundo sobrenatural e a religião, na medida em que determina o seu  ELEDA, ORISA – símbolo do elemento cósmico de formação, a que chamamos, adiante,  de IPORI, daquele ORI-INU em particular.
No Brasil vimos, com certa  frequência, o ELEDA ser chamado de ORISA-ORI, simplificação da relação aqui  exposta. ELEDA segundo Juana Elbein dos Santos em Os Nagô e a Morte, “se refere  à entidade sobrenatural, à matéria-massa que desprendeu uma porção da mesma para  criar um ORI, consequentemente Criador de cabeças individuais…”
Segundo a autora também, “A espécie de material com o qual são modelados  os ORI individuais indicará que tipo de trabalho é mais conveniente,  proporcionando satisfação e permitindo a cada um alcançar prosperidade. Indica  também as interdições – EWO – aquilo que lhe é proibido comer, por causa do  elemento com o qual o seu ORI foi modelado”.
Ou seja, os EWO representam  a proibição de que o indivíduo “coma” alimentos que contenham a mesma “matéria”  da qual foi retirada uma porção para modelagem do seu ORI. A não observância da  interdição traduz-se por uma disfunção energética de consequências profundamente  negativas para o equilíbrio do indivíduo, seja do ponto de vista orgânico, seja  do ponto de vista do mundo emocional, seja quanto as suas condições de  realização do “programa” particular de existência.
Falamos até aqui  sobre a natureza e a constituição do ORI. Agora, qual o seu papel na vida do  homem? O conceito de ORI está intimamente ligado ao conceito de destino pessoal  e à instrumentalização do homem para a realização deste destino.
Um Itan  do ODU OGUNDA MEJI, nos dá a exata dimensão da matéria quando nos relata sobre a  correspondência entre o ORI e o homem e a relação de causa e efeito existente  nesta correspondência:
“… ORI, eu te saúdo!”. Aquele que é sábio, Foi feito sábio pelo próprio ORI. Aquele que é tolo, Foi feito mais  tolo que um pedaço de inhame, Pelo próprio ORI…”

 

 

NI”, ou seja, “as pessoas não querem  que você sobreviva, mas o seu ORI trabalha para você”, trazendo, essa expressão,  um indicador muito importante de que um ORI resistente e forte é capaz de cuidar  do homem e garantir-lhe a sobrevivência social e as relações com a vida, apesar  das dificuldades que ele enfrente.
Esta é a razão pela qual o EBORÍ,  forma de louvação e fortalecimento do ORI utilizada em nossa religião, é  utilizado muitas vezes, precedendo ou, até, substituindo um EBO. Isso se faz  para que a pessoa encontre recursos internos adequados, esta força interior de  que falamos, seja à adequação ou ajustamento de suas condições frente às  situações enfrentadas, seja quanto ao fortalecimento de suas reservas de energia  e consequente integração com suas fontes de vitalidade.
É importante  dizer que é o ORI que nos individualiza e, por conseqüência, nos diferencia dos  demais habitantes do mundo. Essa diferenciação é de natureza interna e nada no  plano das aparências físicas nos permite qualquer referencial de identificação  dessas diferenças. . Sinalizando essa condição, talvez uma das maiores lições  que possamos receber com respeito a ORI possa ser extraída do Itan ODU OSA MEJI,  que reproduzimos a seguir e que é a resposta que foi dada por IFÁ para Mobowu,  esposa de OGUN, quando ela foi lhe consultar:
“ORI BURUKU KI I WU TUULU. A KI I DA ESE ASIWEREE MO LOJU-ONA. A KI I M’ ORI OLOYE LAWUJO. A  DIA FUN MOBOWU TI I SE OBINRIN OGUN. ORI TI O JOBA LOLA, ENIKAN O MO KI  TOKO-TAYA O MO PE’RAA WON NI WERE MO. ORI TI O JOBA LOLA, ENIKAN O MO.” TRADUÇÃO “Uma pessoa de mau ORI não nasce com a cabeça diferente das  outras. Ninguém consegue distinguir os passos do louco na rua. Uma  pessoa que é líder não é diferente E também é difícil de ser reconhecida. É  o que foi dito à Mobowu, esposa de OGUN, que foi consultar IFÁ.
Tanto  esposo como esposa não deviam se maltratar tanto, Nem fisicamente, nem  espiritualmente. O motivo é que o ORI vai ser coroado E ninguém sabe como  será o futuro da pessoa.” Para os yorubá o ser humano é descrito como  constituído dos seguintes elementos: ARA, OJIJI, OKAN, EMI e ORI. ARA é  corpo físico, a casa ou templo dos demais componentes. OJIJI é o “fantasma”  humano, é a representação visível da essência espiritual. OKAN é o coração  físico, sede da inteligência, do pensamento e da ação. EMI, está associado a  respiração, é o sopro divino. Quando um homem morre, diz-se que seu EMI partiu.

 

ORI é o ORISA pessoal, em toda a sua força e grandeza. ORI é o primeiro ORISA a  ser louvado, representação particular da existência individualizada (a essência  real do ser). É aquele que guia, acompanha e ajuda a pessoa desde antes do  nascimento, durante toda vida e após a morte, referenciando sua caminhada e a  assistindo no cumprimento de seu destino. ORI em yorubá tem muitos  significados – o sentido literal é cabeça física, símbolo da cabeça interior  (ORI INU). Espiritualmente, a cabeça como o ponto mais alto (ou superior) do  corpo humano representa o ORI.
Enquanto ORISA pessoal de cada ser  humano, com certeza ele está mais interessado na realização e na felicidade de  cada homem do que qualquer outro ORISA. Da mesma forma, mais do que qualquer um,  ele conhece as necessidades de cada homem em sua caminhada pela vida e, nos  acertos e desacertos de cada um, tem os recursos adequados e todos os  indicadores que permitem a reorganização dos sistemas pessoais referentes a cada  ser humano. Reforçando esta questão temos um oriki que nos diz
“ORI LO  NDA ENI ESI ONDAYE ORISA LO NPA ENI DA O NPA ORISA DA ORISA LO PA  NIDA BI ISU WON SUN AYÉ MA PA TEMI DA KI ORI MI MA SE ORI KI ORI  MI MA GBA ABODI” TRADUÇÃO “ORI é o criador de todas as coisas ORI é  que faz tudo acontecer, antes da vida começar É ORISA que pode mudar o homem Ninguém consegue mudar ORISA ORISA que muda a vida do homem como inhame  assado AYÉ*, não mude o meu destino Para que o meu ORI não deixe que as  pessoas me desrespeitem Que o meu ORI não me deixe ser desrespeitado por  ninguém Meu ORI, não aceite o mal.” (* AYÉ – conjunto das forças do bem  e do mal) Como foi dito, não existe um ORISA que apóie mais o homem do que o  seu próprio ORI: um trecho do adura (reza) feito durante o assentamento de um  IGBA-ORI diz: KORIKORI Que com o àse do próprio ORI, O ORI vai  sobreviver KOROKORO
Da mesma forma que o ORI de Afuwape sobreviveu,  O seu sobreviverá. Ele será favorável a você. Tudo de que você precisa, Tudo o  que você quer para a sua vida, É ao seu ORI que você deverá pedir. É o ORI do  homem que ouve o seu sofrimento…” O que é então ORI, de que a natureza é  constituído e qual o seu papel na vida do homem? Em primeiro lugar, acredita-se  que o corpo humano é constituído de duas partes: a cabeça e o suporte – ORI e  APERE. Acredita-se que este corpo adquire existência na medida em que recebe de  OLODUMARE o sopro vivificador – o EMI.
Este sopro foi o agente do  processo da criação em seu primeiro momento e tem sido o responsável pela  geração e continuidade de toda a vida no universo. Este modelo descrito e de  entendimento abrangente para todas as formas de vida é repetido no ser humano. A  cabeça e o seu suporte, ORI-APERE são formados a partir dos elementos matrizes,  enquanto o ORI-INU, interior, representa, na sua constituição, uma combinação de  elementos, porções de matéria-massa que é particularizada durante o processo de  modelagem de cada ORI. Ele é único e, por conta disso, particulariza e dá  individualização à existência.
Essa combinação “química” definirá parte  das relações do homem com o mundo sobrenatural e a religião, na medida em que  determina o seu ELEDA, ORISA – símbolo do elemento cósmico de formação, a que  chamamos, adiante, de IPORI, daquele ORI-INU em particular. No Brasil vimos,  com certa frequência, o ELEDA ser chamado de ORISA-ORI, simplificação da relação  aqui exposta. ELEDA segundo Juana Elbein dos Santos em Os Nagô e a Morte, “se  refere à entidade sobrenatural, à matéria-massa que desprendeu uma porção da  mesma para criar um ORI, consequentemente Criador de cabeças individuais…”
No ODU OGBEYONU (Ogbe Ogunda) vamos encontrar ainda, “… Quando acordo pela  manhã coloco minha mão no ORI. ORI é fonte de sorte. ORI é ORI!…”. É um  oriki dedicado à ORI, mostrando o papel que ORI tem na vida de cada pessoa  quanto as suas relações interpessoais, suas relações com as outras pessoas, e as  suas condições de realização e progresso em todos os empreendimentos da vida,  nos diz: “ORI MI MO KE PE O O ORI MI A PE JE ORI MI WA  JE MI O KI NDI OLOWO O KI NDI OLOLA KI NDI ENI A PE SIN LAYE O, ORI MI LORI A JIKI ORI MI LORI A JI YO MO LAYE” TRADUÇÃO Meu ORI Eu grito chamando por você Meu ORI, Me responda Meu  ORI, Venha me atender Para que eu seja uma pessoa rica e próspera Para que eu seja uma pessoa a quem todos respeitem Oh, meu ORI! A  ser louvado pela manhã, Que todos encontrem alegria comigo” Toda  existência no universo da Criação se processa em dois planos: O mundo visível, o  AIYE, universo concreto que habitamos, e o mundo invisível, ORUN, onde habitam  os seres sobrenaturais e os “duplos” de tudo o que se encontra manifestado no  AIYE. Não são, como é possível pensar, mundos independentes ou rigidamente  separados. Na realidade podemos afirmar que o AIYE é, antes de mais nada, uma  “projeção” da realidade essencial que tem existência e se processa no ORUN.
Como diz a Profa. Dra. Iyakemi Ribeiro, em seu livro “Alma Africana no  Brasil: os iorubás”, “Para o negro-africano o visível constitui manifestação do  invisível. Para além das aparências encontra-se a realidade, o sentido, o ser  que através das aparências se manifesta. Sob toda manifestação viva reside uma  força vital: de Deus a um grão de areia, o universo africano é sem costura.  (Erny, 1968:19) Universo de correspondências, analogias e interações, no qual o  homem e todos os demais seres constituem uma única rede de forças.” É  necessário entender, assim, que AIYE e ORUN constituem uma unidade e, enquanto  expressões de dois níveis de existência, são inseparáveis e complementares. Essa  unidade é simbolizada pelo IGBA-ODU, cabaça formada de duas metades unidas onde  a parte inferior representa o AIYE e a parte superior representa o ORUN. No  interior, os “elementos
indispensáveis à existência individualizada”.  Poderia ser representada por uma figura e sua imagem refletida no espelho – há  plena identidade entre elas, uma é apenas a imagem invertida da outra. Podemos dizer nessa figuração que o AIYE é a imagem refletida do ORUN. Essa  analogia provavelmente explica a situação conhecida de que os ODU, quando vieram  do ORUN para o AIYE, tiveram sua ordem de precedência invertida. Ou seja, muito  embora no AIYE considere-se EJIOGBE MEJI como o mais antigo dos ODU, todo  Babalawo saúda OFUN MEJI, ou ORANGUN MEJI como é também conhecido, em sua  realeza, dizendo: eepa ODU!, Louvando assim sua antiguidade e sua precedência  efetiva.
Temos assim que toda existência no AIYE reflete uma realidade  anterior existente no ORUN. A existência no AIYE implica em processar-se uma  “modelagem” anterior no ORUN, a partir da qual porções de matérias-massas que  constituem a base da existência genérica são tomadas em fragmentos particulares  e vão constituir a manifestação dessa existência em forma individualizada no  AIYE.
Esses elementos matrizes possuem, por consequência, dupla  existência: uma parcela presente no ORUN e a outra parcela dando vitalidade ou  formação às diferentes partes que formam a “realidade” individualizada de vida.  A esses fragmentos particulares retirados da massa genitora chamamos IPORI e é  ele, IPORI, que determinará o ORISA que cada indivíduo cultuará no AIYE,  condicionando também sua instrumentalização particular na relação com a vida e o  repertório possível de escolhas que possa realizar.

 

A RESPEITO DO DESTINO HUMANO Podemos perceber que a compreensão sobre o  papel que ORI desempenha na vida de cada homem está intimamente relacionado à  crença na predestinação – na aceitação de que o sucesso ou o insucesso de um  homem depende em larga escala do destino pessoal que ele traz na vinda do ORUN  para o AIYE. A esse destino pessoal chamamos KADARA ou IPIN e é entendido que o  homem o recebe no mesmo momento em que escolhe livremente o ORI com que vai vir  para a terra.
ORI desempenha um papel importante para os seguidores de  IFÁ. Nele acredita-se que escolhemos nossos próprios destinos. E nós o fazemos  mediante os auspícios do ORISA IJALA MOPIN. A esfera de ação de IJALA é junto a  OLODUMARE e é ele que sanciona as escolhas de destino que fazemos. Essas  escolhas são documentadas pelas divindades que chamamos de ALUDUNDUN. Um verso  de IFÁ explica esta questão: ” “Você disse que foi apanhar o seu ORI. Você sabia onde Afuwape apanhou o seu ORI? Você poderia ter ido lá para  apanhar o seu. Nós pegamos nossos ORI nos domínios de IJALA, Assim  somente nossos destinos diferem”
IJALA é responsável pela modelação da  cabeça humana, e acredita-se que o ORI e o ODU – signo regente de seu destino  que escolhemos, determina nossa fortuna ou atribulações na vida, como foi dito.  IJALA, embora notável em sua habilidade, não é muito responsável e, por isso,  muitas vezes modela cabeças defeituosas: pode esquecer de colocar alguns  acabamentos ou detalhes desnecessários, como pode, ao levá-las ao forno para  queimar, deixá-las por um tempo demasiado ou insuficiente.
Tais cabeças  tornam-se assim, potencialmente fracas, incapazes de empreender a longa jornada  para a terra, sem prejuízos. Se, desafortunadamente, um homem escolhe uma dessas  cabeças mal modeladas, estará destinando a fracassar na vida. Durante sua  jornada para a terra, a cabeça que permaneceu por tempo insuficiente ou  demasiado no forno, poderá não resistir à ação de uma chuva forte e chegará mais  danificada ainda. Todo o esforço empreendido para obter sucesso na vida terrena  terá grande parte de seus efeitos desviada para reparar tais estragos.
Pelo contrário, se um homem tem a sorte de escolher uma das cabeças  realmente boas, tornar-se próspero e bem sucedido na terra, uma vez que sua  cabeça chega intacta e seus esforços redundam em construção real de tudo aquilo  que se proponha a realizar. O trabalho árduo trará, ao homem afortunado em  sua escolha, excelentes resultados, já que nada é necessário dispender para  reparar a própria cabeça. Assim, para usufruir o sucesso potencial que a escolha  de um bom ORI acarreta, o homem deve trabalhar arduamente. Aqueles, entretanto  que escolheram um mau ORI têm poucas esperanças de progresso, ainda que passem o  tempo todo se esforçando.
Sendo estes os pressupostos, retomamos as  perguntas: Como saber se a escolha do próprio ORI foi boa ou má? Pode um homem  conhecer as potencialidades da própria cabeça ou da cabeça de outrem?
O  Jogo divinatório de IFÁ possibilita que a pessoa tome conhecimento dos desígnios  do próprio ORI, saiba a respeito do ORISA ou IRUNMALE que deve ser cultuado e  conheça seus EWO – proibições quanto ao consumo de alimentos, uso de cores e  condutas morais.
Muitas referências são feitas às relações entre ORI e o destino pessoal. O  destino descrito como IPIN ORI – a sina do ORI – pode ser dividido em três  partes: AKUNLEYAN, AKUNLEGBA E AYANMO.
AKUNLEYAN é o pedido que você fez  no domínio de IJALA – o que você gostaria especificamente durante seu período de  vida na terra: o número de anos que você desejaria passar na terra, os tipos de  sucesso que você espera obter, os tipos de parentes que você deseja.
AKUNLEGBA são aquelas coisas dadas a um indivíduo para ajudá-lo a  realizar esses desejos. Por exemplo: uma criança que deseja morrer na infância  pode nascer durante uma epidemia para garantir a morte dele ou dela.
AYANMO é aquela parte do nosso destino que não pode ser mudada: nosso  gênero (sexo) ou a família em que nascemos, por exemplo. Ambos, AKUNLEYAN e  AKUNLEGBA podem ser alterados ou modificados quer para bom ou para mau,  dependendo das circunstâncias. Assim o destino descrito como IPIN ORI – a  sina do ORI pode sofrer alterações em decorrência da ação de pessoas más  chamadas como ARAYE – filhos do mundo, também chamadas AIYE – o mundo ou ainda,  ELENINI – implacáveis (amargos, sádicos, inexoráveis) inimigos das pessoas.
Entre estes encontram-se as ÀJÉ – bruxas, os OSO – feiticeiros, os  envenenadores e todos aqueles que se dedicam a práticas malignas com intuito de  estragar qualquer oportunidade de sucesso humano. Sacrifício e ritual podem  ajudar a melhorar as condições desfavoráveis que podem ter resultados destas  maquinações maléficas imprevisíveis. Todo ORI, embora criado bom, acha-se  sujeito a mudanças. Vimos que feiticeiros, bruxas, homens maus e a própria  conduta podem transformar negativamente um ORI, sendo sinal dessa transformação  uma cadeia interminável de infelicidades na vida de um homem a despeito de seus  esforços para melhorar.
O ORI, entidade parcialmente independente,  considerado uma divindade em si próprio, é cultuado entre outras divindades,  recebendo oferendas e orações. Quando ORI INU está bem, todo o ser do homem está  em boas condições. Como foi dito, nossos ORI espirituais são por eles mesmos  subdivididos em dois elementos: APARI-INU e ORI APERE – APARI-INU representa o  caráter (natureza), ORI APERE representa o destino.
Um indivíduo pode  vir para a terra com um destino maravilhoso, mas se ele ou ela vem com mau  caráter (natureza), a probabilidade de desempenho (cumprimento, execução) desse  destino é severamente comprometida. O destino também pode ser afetado,  então, pelo caráter da própria pessoa. Um bom destino deve ser sustentado por um  bom caráter. Este é como uma divindade: se bem cultuado concede sua  proteção. Assim, o destino humano pode ser arruinado pela ação do homem. IWA  RE LAYE YII NI YOO DA O LEJO, ou seja, – “Seu caráter, na terra, proferirá  sentença contra você”. No ODU de OGBEOGUNDA, IFÁ diz: “Um pilão realiza  três funções Ele tritura inhame Ele tritura índigo Ele é usado como  uma tranca atrás da porta Foi feito um jogo adivinhatório para Oriseku,  Ori-Elemere e Afuwape Quando eles foram escolher seus destinos nos domínios  de IJALA – MOPIN Foi solicitado para eles que realizassem rituais Somente Afuwape realizou os rituais que foram solicitados. Ele, em  consequência, tornou-se muito afortunado. Os outros lamentaram, disseram que  se soubessem onde Afuwape escolheria seu ORI, eles teriam ido até lá para  escolher os seus também. Afuwape respondeu que, embora seus ORI fossem  escolhidos no mesmo lugar, seus destinos é que diferiam.”
A questão que  aí se apresenta é que somente Afuwape mostrou bom caráter. Respeitando sua  crença e realizando seus sacrifícios, ele trouxe as bênçãos potenciais de seu  destino para a efetiva realização. Seus amigos Oriseku e Ori-Elemere falharam em  mostrar bom caráter pela recusa em realizar seus rituais e, por isso suas vidas  sofreram as consequências.

O nome IPIN está igualmente associado à ORUNMILÁ, conhecido como ELERI-IPIN – o  Senhor do Destino e que é aquele que esteve presente no momento da criação,  conhecendo todos os ORI, assistindo o compromisso do homem com seu destino, os  objetivos de cada um no momento de sua vinda para o AIYE, o programa particular  de desenvolvimento de cada ser humano e sua instrumentalização para o  cumprimento desse programa.
ORUNMILÁ conhece todos os destinos humanos e  procura ajudar os homens a trilhar seus verdadeiros caminhos. Temos, assim, que  um dos papeis mais importantes de IFÁ em relação ao homem, além de ser o  intérprete da relação entre os ORISA e o homem, é o de ser o intermediário entre  cada um e o seu ORI, entre cada homem e os desejos de seu ORI. Apenas como  registro, é preciso entender que esse mesmo papel ORUNMILÁ tem na relação com os  demais ORISA, sendo o intermediário entre cada um e o seu ORI. E ORUNMILÁ, Ele  mesmo, consulta IFÁ!
Nos momentos de crise, a consulta ao oráculo de IFÁ  permite acesso a instruções a respeito dos procedimentos desejáveis, sendo  considerados bons procedimentos os que não entram em desacordo com os propósitos  do ORI.
O ser que cumpre integralmente seu IPIN-ORI (destino do ORI),  amadurece para a morte e, recebendo os ritos fúnebres adequados, alcança a  condição de ancestral ao passar do AIYE para o ORUN. Há a crença na  existência de duas áreas ocupadas por espíritos dos mortos: ORUN RERE – o bom  “céu”, habitado pelas divindades e ancestrais, e ORUN APAADI – o “céu” de muitas  infelicidades, habitado pelos infelizes que sofreram má sorte e pelos maus,  julgados pelo Ser Supremo, segundo o ser caráter. Estes últimos ficam condenados  à solidão e ao esquecimento, sem direito a lembrança ou a aparecerem em sonhos e  visões – morrem totalmente.
ORUN RERE, por outro lado, é prazeiroso e  sereno, vivendo os espíritos numa comunidade composta de parentes e amigos.  Podem também permanecer junto aos familiares e intervir em suas atividades  diárias, sendo-lhes permitido reencarnar em alguma criança nascida no âmbito  familiar. A respeito do ORI, resta ainda lembrar que trata-se de uma  divindade pessoal, a mais interessada de todas no bem estar de seu devoto. Se o  ORI de um homem não simpatiza com sua causa, aquilo que ele deseja não pode ser  concedido nem por OLODUMARE, nem pelos ORISA.
Da mesma forma se o  caráter de um indivíduo é mau, sua escolha de destino pode não se realizar. Se  nossa situação é realmente de um mau destino, e não é uma consequência de nosso  caráter ou comportamento, então nosso ORI-APERE precisa ser apaziguado. Oferendas prescritas ou rituais devem ser realizados para nos trazer de  volta a um alinhamento saudável.
Considera-se vital para todo homem  recorrer a IFÁ, sistema divinatório de consulta a ORUNMILÁ, a intervalos  regulares para tomar conhecimento do que agrada ou desagrada o próprio ORI.  Enquanto intermediário entre a pessoa e as divindades (entre as quais o próprio  ORI) IFÁ não apenas informa sobre os desejos divinos, mas também conduz os  sacrifícios ofertados às divindades para que estas possam cumprir seu papel:  ajudar os ORI a conduzirem as pessoas à realização do próprio destino.
Se as coisas estão indo mal em sua vida, antes de apontar um dedo  acusador para as bruxas, para feitiços ou para seus inimigos, examine sua  natureza. Se Você tem por hábito maltratar as pessoas ou não considerar seus  sentimentos, não procure qualquer felicidade ou sorte em sua vida, não  importando o quanto Você possa ser bem sucedido materialmente.
Se, por outro lado, Você ajuda os outros e dá felicidade a eles, sua vida será  cheia, não só de riquezas, mas também de alegria e felicidade. No entanto,  lembre-se, é decididamente muito mais fácil alterar seu destino do que sua  natureza. “Por toda parte onde ORI seja próspero, deixe-me estar incluído, Por toda parte onde ORI seja fértil, deixe-me estar incluído, Por toda  parte onde ORI tenha todas as coisas boas da vida, deixe-me estar incluído. ORI, coloque-me em boa situação na vida,
Que meus pés me conduzam  para onde as coisas me sejam favoráveis. Para onde IFÁ está me levando eu  nunca sei Jogaram para Assore no início de sua vida. Se há qualquer  condição melhor do que aquela em que estou no presente, Que possa meu ORI  não falhar em colocar-me nela. Meu ORI me ajude! Meu ORI faça-me próspero!
ORIN ORI
Ori ka f’anjá Ori ô Ori ka f’anjá Ori ká f’anjá  Ori ô Ori ka f’ajnjá Ori ká f’anjá alá umbó bàbá lá toloxé Agô ni kekerê  kerê kê Agô ni kekerê kerê kê eru janjan
Ori ka f’anjá Ori ô Ori ka  f’anjá Ori ká f’anjá Ori ô Ori ka f’ajnjá Ori ká f’anjá alá umbó bàbá la  toloxé Ago ni kekerê kerê kê Agô ni kekerê kerê kê eru janjan
Orí ô Ori apere Lé fibô didê lésé orixá Apere ô ori ô orí apere Lé fibô didê lésé orixá
Ori ô Ori xê Awa dá meuá l’apere ô ori ô Ori xê e uá lese orixá Ori gbó apere
Orí gbó mó gbó tijí Orí  gbó a pe re Ori gbó mó gbó tijí Ori loman bó inxê
Ori loman Iyemoja mi xekê mi ô Iyemoja mi xekê mi rô Orí ô Iyemoja mi xekê mi  ô
Ori mi ô xererê fun mi Ori mi ô xererê fun mi Ori oká unsanu  oka Ori ejo unsanu ejô
Afomo opué Ori mi ô xererê fun mi O  guégué oló guégué O guégué Ori umbó Ori mi axé um o yê
Oni dôdô  ori man i man yin Oni dôdô ori man i man yin Ibá ti kotá lobé fakalé E a um ô loni á fi a jí
Omobá olokó ilé Omobá olokó ilé Omobé yi delê Omobé yi delê o yê Omobá olokó ilé
ORI é o protetor do homem antes das divindades.

 

 

 

 

 

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